Nos últimos dias fiz vários exames oftalmológicos, para uma avaliação do estágio da doença que se desenvolveu nas minhas córneas, o ceratocone. Os resultados não são animadores, foi constatada a necessidade de realizar um transplante das córneas, para que eu não perca a visão, já que a doença evoluiu rapidamente. A expectativa era de fazer outra cirurgia, a adição de um anel na córnea que retarda o processo evolutivo do ceratocone, mas, pelo visto, essa não é a saída indicada.
Córnea e Ceratocone
A córnea é uma membrana transparente que se encontra na parte frontal do olho, e funciona como uma lente (a mais poderosa do órgão) e tem um formato de concha. A córnea acometida pelo ceratocone tem sua curvatura alterada, tomando uma forma cônica e afinada, o que provoca distorção e até a perda total da visão. O tratamento da doença começa com o uso de lente de contato, que vai pressionado a córnea para que ela não se achate. Com a evolução da doença, pode haver necessidade da adição de um anel intra-corneal, que também força a córnea a tomar seu formato normal e melhora a visão. O recurso final do tratamento de ceratocone é o transplante de córnea, que nada mais é do que a troca da córnea danificada por uma outra sadia, de um doador já morto.
Já estou inscrito na fila de espera da Central de Transplantes de Goiás, assim que sair a córnea (o que pode demorar cerca de dois anos) vou fazer o transplante. Antes disso continuo usando lentes de contato, como faço desde 2005, ou posso tentar retardar o transplante fazendo a inserção do anel intra-corneal, mas isso ainda depende de outras avaliações médicas.
Não vejo muito bem há algum tempo, o que quero é não perder a visão, e melhorar minha situação. Não sei bem como será, mas sinto que não ficará pior, é coisa de fé mesmo. Não dá pra ver o futuro, mas ‘o que os olhos não vêem, o coração pressente’ e não estou com medo.
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