quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Contra Cultura

"Zines são publicações alternativas e independentes feitas geralmente em folha de papel A4. Se utilizam de colagens, desenhos feitos à mão e de muita criatividade para criar o formato desejado; é comum possuírem uma aparência poluída. No início tratava de assuntos como ficção científica e na década de 70 falava de bandas do cenário punk, depois evoluíram para assuntos como política, literatura, sexo, quadrinhos, poesias, feminismo, jornalismo investigativo, e o que mais puder ser expresso em uma folha de papel. Aliás, essa liberdade de escolha de temas e a forma como os mesmos são tratados é uma das várias características que diferem um zine de uma publicação normal. São distribuídos gratuitamente e no máximo é pedida uma contribuição voluntária para ajudar nas cópias do original."
Texto tirado daqui.


Os zines são muito interessantes, pois caracterizam um "nadar contra a corrente" (como já dizia Cazuza) da mídia, esta coisa alienante que contribui para a racionalização do trabalho. As pessoas não tem muito tempo pra pensar, refletir sobre o modo como estão levando a vida, não tem muito tempo para reivindicar seus direitos ou pensar criticamente, claro, porque tempo é dinheiro e muitas vezes não tem tempo nem mesmo para ficar um dia na fila do hospital esperando atendimento para a resolução de alguma enfermidade, isto porque qualquer desvio da conduta racional no trabalho ocasiona em um dispendio muito grande. Então acaga gerando um sentimento de conformismo, pois para se dar um passo maior, subir um degrau, é quase sempre necessário recuar um pouco. A mídia tem papel determinante nisso, uma função de recalcar este conformismo mostrando as belezas de que esta conduta racional do trabalho pode trazer, como bem vemos no Jornal Hoje ou nos vários livros de auto-ajuda que abarrotam as prateleiras das livrarias. A mídia mostra também coisas boas e/ou utópicas, assim como coisas bizarras e horrendas em que as pessoas se sentem bem assistindo, se sentem realizadas e, de alguma forma, completas com aquilo.
As questões da racionalidade no trabalho e a alienação da mídia podem e devem continuar dando muito pano pra manga aqui mesmo neste blog, mas no momento apenas as menciono para falar sobre a contracultura. Os blogs são,
concerteza, uma espécie de zine moderno. A característica do zine que queremos que resgatar, além da "aparência poluída" (ou não), é o "nadar contra a corrente", a contracultura, a tentativa de criticar a ordensocialvigente. E é isso o que buscamos aqui, tentar encontrar caminhos paralelos aos geralmente traçados e que consequentemente chegem a destinos diferentes.
Pegar uma folha de papel, escrever sobre inquietudes, incômodos do dia-a-dia, colar letras recortadas e ilustrações caricaturais é uma iniciativa digna, que pode ser desenvolvida por qualquer um, mesmo que pra ninguém. Este blog é uma tentativa de
contracultura enquanto a internet não é totalmente corrompida pela mão invisível, huahuahauhaua.
Fica aqui a idéia do zine para quem quiser seguir e fica aqui o blog para quem quiser ler e por mais que ele pareça ridículo, estranho ou sem sentido, para aqueles que não entendem, um dia todos entenderão, a história há de nos absolver!

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