No século passado já dizia um latino americano que: “Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”. Esta frase de impacto representou de fato a juventude militante no decorrer da história e seu anseio de modificar as estruturas que regem o Estado. A rebeldia e o inconformismo além de ser uma virtude é uma característica peculiar nesta fase da vida e que, muitas das vezes, desaparece na fase adulta.
Roberto Lyra, brasileiro e escritor, acenava desta importância; a de uma juventude engajada, questionadora e militante no processo histórico e que o bom estudante não é aquele que aceita o legalismo e a ordem imposta, mas aquele capaz de perfurar a rija madeira de conceitos e teorias e, vai além disto, Lyra reforça que o estudante que diz ser apolítico, adota, automaticamente, uma postura conservadora e de aceitação do modelo posto coercitivamente pelo Estado.
Sem dúvida, neste limiar no século XXI houve uma mudança diametral neste processo, houve um arrefecimento da conduta social dos jovens estudantes. O distanciamento dos jovens das causas sociais e a utopia de um mundo mais justo e igualitário é pouco presente e o que mais assusta não é só este desligamento ou este afastamento e sim, o conservadorismo nas atitudes bem como, a desesperança e o conformismo com a política, o modelo de ensino, e as próprias forças invisíveis do Estado.
Muito se pode dizer por que isto veio acontecer. Por que o jovem estudante não se interessa tanto com as causas sociais e marginais? Por que o perfil dos jovens e estudantes, de hoje, conforma e aceita a violência policial, a corrupção e desonestidade como sendo uma coisa normal e tolerável?
Em primeiro lugar, podemos lembrar que os jovens estudantes não têm um objetivo comum, ou seja, não há nenhum fenômeno ou algum fato histórico relevante que seja capaz de unir os jovens para que sejam determinantes ou protagonistas, diferentemente nos anos de chumbo na década 60 ou 70 ou a campanha de diretas-já na década de 80 e ainda, mais próximo, o movimento cara-pintada na década de 1990.
Em segundo lugar, podemos lembrar que o Inimigo é Invisível ou Incomum, ou seja, os estudantes não sabem quem vai questionar, ou que teoria e conceitos vão discutir. Os jovens estudantes preferem não serem radicais nas suas opiniões, o meio-termo é sempre a melhor saída para expor as suas idéias e evitar que sejam taxados de comunistas ou conservadores no meio social.
Por derradeiro, acenamos da ausência das Universidades e escolas secundaristas de disciplinas e profissionais habilitados e capazes de trazer ao estudante o senso da crítica, de engajamento político e da importância dos estudantes no processo histórico e social.
O jovem estudante tem um dever e este dever não é apenas teórico, mas sim, uma responsabilidade-dever com o Social, com a militância e o engajamento político. Se acomodar nesta fase e pensar que vai levantar esta responsabilidade apenas na fase adulta é um ledo engano. Este jovem estudante acomodado será mais um conservador e desestimulador da militância na fase adulta. Trazer este compromisso, desde já, sem dúvida, será um legado intelectual e prático que orientará toda a vida adulta.
sábado, 3 de outubro de 2009
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A conduta racional do trabalho está bem adiantada por aqui, os jovens já estão velhos e/ou caretas, mal saem das fraldas já estão preocupados com o dinheiro, o trabalho, o que vão fazer para ganhar em cima de outrem.
ResponderExcluirA gente entra pra faculdade achando que vamos encontrar um monte de gente interessante, disposta a contestar. Mas a gente se decepciona. Até encontra aquelas pessoas, mas encontra outras em proporção muito maior para questionar a validade da contestação, isso é muito desanimador, quem deveria estar revoltado com a situação zomba de quem se manifesta.
Mas é isso, este controle invisível produziu muitos reacionários, as pessoas dizem ter opinião, criticar quem se manifesta é fácil. Já são escravos conformados do sistema.