“No Clamor dos povos do cerrado, a memória e a resistência em defesa da vida”
Nós, camponeses e camponesas, agentes de pastorais e representantes de movimentos sociais e sindicais, convocados pela memória subversiva do Evangelho, reunidos em Assembleia nos dias 15 a 18 de outubro de 2009, no seminário Frei Leopoldo, cidade de Hidrolândia, estado de Goiás, iluminados pela Palavra, pela memória e caminhada da CPT, e, inicialmente motivados por Dom Guilherme, Bispo da Diocese de Ipameri, reafirmamos o papel missionário e profético da CPT como sinal de esperança, centrada na fé em Jesus Cristo e na caminhada dos cristãos, na construção de um projeto de sociedade que contempla os princípios cristãos e socialistas.
Inspirados por esse ideal, refletimos e reafirmamos nossa identidade classista junto aos povos da terra e das águas, em defesa da vida e de uma relação harmônica com a mãe Terra.
Fizemos memória aos 34 anos de caminhada da CPT em Goiás, revivendo os momentos que marcaram nossa história de caminhada, de lutas, de formação e de combate às injustiças sociais. Retomamos o caráter pastoral, profético e solidário junto aos povos do Cerrado e alimentamos a nossa luta com a espiritualidade e mística libertadoras.
Nessa memória, lembramos nossos mártires que deram suas vidas em defesa de vidas, derramando seu sangue por não se calarem diante das injustiças. Fazer memória de nossos mártires é alimentar o nosso espírito missionário e fiel ao evangelho de Jesus Cristo.
Reafirmamos que a CPT deve continuar sendo presença na luta junto com os camponeses e camponesas, contribuindo na construção de uma consciência crítica e transformadora que fortaleça o seu protagonismo.
Denunciamos o modelo capitalista de desenvolvimento excludente, destruidor da vida, centrado na exploração do trabalho e nos lucros exorbitantes do agronegócio. Esse modelo destruidor coloca em risco todas as formas de vida no planeta, o que exige uma radicalização da luta em defesa de um novo projeto de sociedade.
Definimos continuar implementando ações em defesa do cerrado, lutando para a aprovação da PEC 115–150/95 que reconhece o Bioma Cerrado como patrimônio nacional; fortalecer a agricultura familiar camponesa, resgatando os valores do campesinato, a partir das experiências agroecológicas e da cultura; reforçar a luta pela terra e na terra, por uma ampla política de reforma agrária massiva; defender os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, dando atenção especial aos assalariados, denunciando o trabalho degradante e escravo; fortalecer a missão da CPT, seu caráter pastoral, sendo presença solidária, profética, fraterna e afetiva, junto aos povos da terra e das águas.
Definimos ainda, como prioridade para o próximo biênio, a implementação de ações em defesa do Cerrado, o fortalecimento da agricultura familiar camponesa e do trabalho de base e, ainda, fortalecer o Fórum da Reforma Agrária e do Comitê de Educação do Campo.
Assumimos o compromisso com a luta pela terra e na terra, com a Missão da CPT e o trabalho voltado para o protagonismo dos camponeses e camponesas. Obedientes ao evangelho de Jesus, ao ecumenismo e ao profetismo, a CPT reforça o combate ao modelo capitalista destruidor e afirma seus princípios em defesa da vida.
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Hidrolândia, GO, primavera de 2009.
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